Carlos Fontes

 

 

     

Cristovão Colombo, Português ?

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15. Lugares de Colombo em Portugal

 

 

Regresso da 1ª. Viagem às Indias (América)

Desde que Colombo aportou aos Açores, inicia por Portugal, um percurso que é inexplicável se não tivermos em conta a sua profunda ligação ao país.

 

Locais e Personagens

A referencia aos vários locais que visitou, os encontros que realizou, assim como a identificação das personagens com quem contactou variam conforme a fonte de informação.

Colombo, no Diário de Bordo, é pródigo nas referências a locais e personagens com quem contatou (12), procurando dessa forma demonstrar que conhecia bem os locais que visitou, as pessoas, assim como as duas principais facções em que estava dividida a sociedade portuguesa: a facção de D. João II, reunida em Vale do Paraíso e a facção de Dona Brites, Duquesa de Beja-Viseu, reunida no Mosteiro de Santo António da Castanheira, com a qual demonstra uma enorme fidelidade.

Tratavam-se não apenas de duas facções políticas, mas também de duas visões distintas de encararem a expansão marítima e a questão da partilha das terras e mares descobertos pelos portugueses.

A facção de Dona Brites (mãe de Dona Leonor, D. Manuel e de D. Diogo, assassinado em 1484), é preciso recordar, estava ligada aos exilados portugueses envolvidos nas conspirações de 1483 e 1484, que defendiam a abertura dos mares a Castela e outros reinos cristãos.

Os cronistas portugueses como Rui de Pina, Garcia de Resende ou João de Barros, referem apenas uma única facção, a do rei - D João II, por isso omitem o encontro no Mosteiro de Santo António da Castanheira, mas também a referências às personagens que neles estiveram presentes, de modo a evitarem outras leituras políticas dos contactos de Colombo (13). Mais

Las Casas (História das Indias) ou Hernando Colón (História do Almirante), eventualmente menos conhecedores das facções que se oponham em Portugal, ou avisados de contactos comprometedores, são escassos na referência a locais e personagens com as quais Colombo se encontrou em Portugal.

Hernando Colon, apesar disso refere os dois principais encontros (com o rei e a rainha), e acrescenta alguns pormenores, baseados no Diário de Bordo original, que certamente conheceu.

Las Casas, segue Hernando, embora acrescenta novos pormenores, refere um facto importante: a descrição do encontro entre Colombo e D. João II foi baseada não no Diário de Bordo, mas no que escreveu o cronista português Garcia de Resende.

 

1. Ilha de Santa Maria (Açores)

Colombo iniciou o seu regresso a 16 de Janeiro de 1493, quando saiu da ilha da Hispaniola com duas caravelas - Niña (Colombo ) e Pinta (Pizón). Dirigiu-se para os Açores, que conhecia muito bem, tendo apanhado ventos ocidentais. A rota era conhecida, como se verá. Mais

A 10 de Fevereiro, calcula que está perto da Ilha da flores, todos a bordo afirmam o contrário, mas ele estava certo.

No dia 13, as duas caravelas perderam-se uma da outra. A Pinta, comandada por Martin Pizón, foi parar à Baiona/Bayona, na Galiza, onde chegou no final do mês de Fevereiro ou princípios do mês de Março.Mais

Colombo conduziu a Niña na direção dos Açores.

No dia 15, o marinheiro Rui Garcia, da Niña, diz ter visto Terra. As opiniões sobre a terra que se tratava são as mais diferentes, a única que estava certa era a de Colombo. Estavam na Ilha de Santa Maria (Açores), uma pequena ilha no meio do Atlântico, a 1.400 km de Portugal continental.

Terão aportado no lado sul da Ilha, num local pouco propício.

No dia 18 de Fevereiro foi para o lado norte, num local mais adequado, onde os locais o mandaram para um melhor ancorador - a Baia dos Anjos, na à povoação de Nossa Senhora dos Anjos. Ao anoitecer, três habitantes locais vieram dar-lhes comida (galinhas, pão fresco, etc), que haviam sido enviados pelo capitão da ilha - João de Castanheira (Juan de Castañeda, na confusão espanhola).

"Después del sol puesto, vinieron a la ribera tres hombres de la isla y llamaron. Envióles la barca, en la cual vinieron y trajeron gallinas y pan fresco, y era día de Carnestolendas, y trajeron otras cosas que enviaba el capitán de la isla, que se llamaba Joáo da Castanheira, diciendo que lo conocía muy bien y que por ser noche no venía a verlo; pero en amaneciendo vendría y traería más refresco, y traería consigo tres hombres que allá quedaban de la carabela, y que no los enviaba por el gran placer que con ellos tenía oyendo las cosas de su viaje", Colombo, Diário


Lugar dos Anjos, na Ilha de Santa Maria (Açores). Revista Ocidente, nº.568, vol. XVIII, 1/10/1894

 

"Tras el descubrimiento de América, Colón para en la Isla de Santa María, en el archipiélago luso de las Azores, donde vivían menos de cien personas. Ahí se encuentra con el lugarteniente Joao da Castanheira, al que dice que conoce bien, pese a que no era un noble ni nada parecido (Hernando Colón, Historia del Almirante (1571).

 

No dia 19 de Fevereiro, de manhã bem cedo, enviou um batel com dez homens a terra para assistir a uma missa, tendo ido em romaria à Ermida dos Anjos, para rezarem uma missão de acção de graças pela viagem de regresso ( Esta ermida foi construída em 1439, em madeira e com cobertura de palha, sendo reerguida em pedra entre 1460 e 1474). Procuravam também um sacerdote. A população local temendo que fossem piratas, encarcerou 5, tendo os restantes fugido para o navio. 

Ermida dos Anjos, Revista Ocidente, nº.568, vol. XVIII, 1/10/1894

Por volta das 11h00, Colombo resolveu levantar ferros, deixando presos os cinco tripulantes espanhóis, e foi para uma parte da ilha chamada Ponta de Frades, onde viram o dito batel com homens armados, comandados pelo capitão Castanheira, que afirmou que o "conhecia muito bem" (22).

O Diário de Bordo, estropiado por Las Casas tem a seguir um diálogo hilariante e sem sentido. Colombo voltou com a Niña à Baia dos Anjos. 

Las Casas, afirma que D. João II conhecia não apenas a rota que Colombo seguiu para as Indias, mas sobretudo as alternativas que lhe restavam no regresso. Ou vinha pela Guiné, Cabo Verde, a Madeira ou pelos Açores. Nesse sentido, mandou que "en todos los puertos y lugares que él por este mar Océano tenía que, cada y cuando por alguno dellos el Almirante volviese, lo prendiesen y se lo enviasen preso a Portogal (sic) o como semejante;" (20). Uma ordem que o capitão João da Castanheira, contrariado, começou por cumprir.

No dia 20 de Fevereiro, Colombo levantou ferros e dirigiu-se para ir para a Ilha de S. Miguel, que se avista da ilha de Santa Maria, mas a viagem foi abortada. Regressou à Ponta de Frades.

 

Colombo abandona mais 5 marinheiros espanhóis

Nas Antilhas, aproveitando o afundamento da nau Santa Maria, no dia 25 Dezembro de 1492, entrega à sua sorte 38 espanhóis e 1 italiano, que um ano depois foram encontrados mortos. Mais

Na Ilha de Santa Maria, nos Açores, no dia 20 de Fevereiro de 1493, abandona 5 espanhóis presos nesta ilha, dirigindo-se para a ilha de S. Miguel. O seu objectivo parecia ser desfazer-se da tripulação espanhola. No Diário de Bordo, queixa-se que muito poucos entendiam de navegação. Não fosse a tempestade, que o obrigou a regressar a Santa Maria, teria conseguido abandonar mais 5.

 

No dia 21, surge de novo o batel com João de  Castanheira, os 5 marinheiros espanhóis, 2 sacerdotes e 1 notário, que conferiu as credenciais, tendo-se todos manifestado muito satisfeitos com o resultado. A partir daqui as coisas mudaram completamente, o acolhimento foi total.

No dia 23 mudou-se para outro local da ilha, na Baia de Vila do Porto ou Vila da Praia, no do sul para arranjarem lenha e pedra para o lastro . 

Colombo só sairá desta ilha no dia 24 de Fevereiro após ter reparado o navio e ser devidamente abastecido para a viagem em direcção ao continente (europeu), escolheu a rota que o conduzia directamente a Lisboa (15). O percurso era conhecido, tendo em conta as suas viagens anteriores.

Quem era João da Castanheira ?

Ao que tudo indica o seu nome completo era João da Castanheira, escudeiro-fidalgo da casa de D. Manuel I, Duque de Beja. Foi lugar-tenente do capitão João Soares de Albergaria da Ilha de Santa Maria, nos Açores (14). Foi um dos povoadores da Ilha de Santa Maria e depois de S. Miguel. Quando foi criada a Câmara Municipal de Ponta Delgada, em 1499, foi um dos dois juízes eleitos.  A sua filha - Margarida de Matos, casou-se com Fernão de Quental, outro dos pioneiros do povoamento dos Açores (19).

João da Castanheira, em Fevereiro de 1493 encontrava-se a substituir o capitão da ilha, quando este se deslocou  a Lisboa para se casar.  

Este facto justifica as palavras de João da Castanheira ao dizer que "conhecia muito bem" Colombo. A ida deste navegador para a Ilha de Santa Maria, não seria um acaso, mas foi uma estratégia bem planeada. 

 

Neste itinerário por Portugal, Colombo no dia 11 de Março de 1493, irá a Castanheira do Ribatejo, onde fica situado o Panteão dos Ataídes, senhores de Castanheira e 1ºs. Condes de Castanheira. 

 

2. Cabo da Roca (Sintra) e chegada a Cascais

O percurso entre a ilha de Santa Maria (Açores) é descrito, como é habitual, foi feito debaixo de uma enorme tempestade.

Hernando Colón afirma que a caravela esteve quase a afundar-se. O mesmo dramatismo coloca na descrição Las Casas (Hist.Indias, vol.I, cap.73).

No dia 3 de Março de 1493 (Domingo), nota no seu Diário de Bordo, que viram sinais que estavam perto de terra, "Hallávanse todo çerca de Lisboa".

Na madrugada do dia seguinte, descobriram que estavam junto ao cabo da Roca em Sintra. Colombo regista no Diário de Bordo: "Venido el día, cognoscío la tierra (10) , que era la Roca de Sintra qu`es junto com o rio de Lisboa, adonde determinó entrar, porque no podía hazer outra cosa.".

A população local, pode observar a luta que Colombo e a tripulação travaram junto à costa para se salvarem da tempestade, muitos foram os que oraram a Deus para que o salvassem. A chegada ao Rio Tejo  é assim, apresentada como um "milagre" e uma inevitabilidade.

Colombo não esconde que conhecia perfeitamente a foz do Rio Tejo, revelando inclusive que sabia onde nela se podia encontrar ouro (Diário de Bordo, 25 de Novembro de 1492). Tratam-se das conhecidas minas da Adiça, as mais importantes minas de ouro de Portugal na Idade Média (28). Localizam-se na proximidade da actual ribeira da Foz do Rego e na Região da Fonte da Telha, a norte da Lagoa de Albufeira. Foram as mesmas durante séculos exploradas pela Ordem de Santiago.

Exploram-nas também, na segunda metade do século XV, uma sociedade constituía pelo pai de Diogo Fernandes de Almeida - 6º. Prior do Crato e o pai do Juanoto Berardi (29). Mais

Diogo, irá acompanhar Colombo durante dois dias em Vale do Paraíso, e  Berardi foi o seu principal banqueiro em Sevillha... Durante décadas ambos viveram e conviveram em Portugal.

O percurso que seguiu entre o cabo da Roca, passando por Cascais até ao Restelo requeriam também algum conhecimento da costa (26).

Colombo ancorou em Cascais, junto à Torre de Santo António, mandada construída em 1488 por D. João II.

Gravura de Georgius Brau  (1572)

2.1. Cascais

Antes de aportar a Lisboa, Colombo esteve durante algum tempo na vila de Cascais, onde falou com a população local, nomeadamente sobre a tempestade que enfrentara. Las Casas, por seu lado, deixa entender que não pararam na Vila de Cascaes, devido à tempestade, mas um pouco mais à frente da mesma na direcção de Lisboa, onde lançaram as âncoras. ( Las Casas, ob.cit. cap.73).

Colombo escreve no Diário de Bordo: "Los del pueblo diz que estiviram toda aquella mañana haziendo plegarias por ellos, y despúes qu`estuvo dentro, venía la gente a verlos, por maravilla de cómo avían escapado".

Hernando Colón, afirma que Colombo fora informado, em Cascais (?), que "les había llegado noticia de los muchos navíos que en Flandres y otros mares habían naufragado durante aquellos días" (cap.XXXIX).

Las Casas é mais preciso, afirma que foram informados que na Flandres haviam sido afundados 25 naus, e muitos navios não haviam podido sair do porto de Lisboa. Nunca se havia visto um inverno assim, garantiam todos (Las Casas, ob.cit. cap.73).

 Não existe a mais pequena notícia desta tempestade que tenha provocado tantos naufrágios em Portugal, na rota da Flandres e outros mares... O problema, como se depreende, é justificar a razão porque Colombo se dirigiu dos Açores directamente Lisboa.

Las Casas esclarece que "À la hora de Tercia" (9 horas, segundo o horário canónico), vieram finalmente para o Restelo, onde a Ordem de Cristo tinham uma importante Ermida, e D. Manuel I veio a construir o Mosteiro de Santa Maria de Belém, que entregou aos frades Jerónimos.

 

3. Restelo (Lisboa)

 Colombo chegou à praia do Restelo, onde fundeou a caravela (Niña), a 4 de Março de 1493, segunda-feira. Durante os nove dias que ficou em Lisboa, Colombo teve tempo para tudo, para matar saudades, ver amigos mas também conferenciar durante dois com D. João II sobre o que devia fazer.  

A Niña na praia do Restelo estava junto da nau de guerra portuguesa "São Cristovão", comandada por um experimentado capitão que se chamava Alvaro Damião (Diário de Bordo, Las Casas, Hist.Almirante) ou Alvaro da Cunha (Hernando Colón, Hist.Almirante).

O imediato que foi enviado à Niña dava pelo nome de Bartolomeu Dias, de Lisboa. Trata-se de outro experimento navegador, que tinha o mesmo nome que Bartolomeu Dias que atingiu o Cabo da Boa Esperança, e a cujo regresso Colombo ou Bartolomeu Colon assistiu em Dezembro de 1488.

Enviou uma carta a D. João II, pois tinha muito para lhe contar. Enviou também uma aos reis espanhóis, a informá-los que havia chegado a Lisboa (Hernando Colon, cap.XXXIX).

Não tardou a chegar Martinho de Noronha (8) que o havia de acompanhar, Rio Tejo acima, até junto do rei em Vale do Paraíso, no termo de Santarém. Era sobrinho de Colombo, por isso, um individuo de total confiança. Mais

Marinheiros Presos. Há noticias que terão sido presos dois portugueses que íam vinham a bordo da Niña, tendo embarcado provavelmente como espiões. Mais 

No dia 7 de Março, quinta-feira, mudou o navio para junto do Paço da Ribeira, onde despertou enorme curiosidade na população da Lisboa, nomeadamente pelos indios que trazia a bordo.

 

4. Lisboa

Entre os dias 4 e 8 de Março ( segunda a sexta-feira) Colombo permaneceu na cidade de Lisboa. O que andou a fazer ? 

A visitar o Convento do Carmo onde está sepultado a sua esposa e cunhado ?  

 

Terá ido rezar à Igreja do antigo Convento de Santos, como em tempos o fazia e onde se casou? Ou terá ido à Quinta das Pancas, na Cruz da Pedra (Santa Apolónia, Recolhimento de Lázaro Leitão), para onde em 1490, fora mudado o Convento de Santos?  

 

Foi à Casa da India saber as novidades das explorações marítimas?

 

Poderá ter ido à maior Sinagoga de Lisboa, onde encontraria certamente muitos amigos. Recorde-se que a mesma foi transformada, em 1497, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, uma virgem da sua devoção. A principal capela da Igreja era a do Espírito Santo. Pertencia à Ordem de Cristo.

 

Terá talvez ido ao Largo de São Salvador em Alfama, junto à Judiaria, onde os Noronhas tinham as suas casas em Lisboa. Este largo foi mandado abrir por senhores de Alenquer. 

 

Podia inclusive ter visitado numa das portas de Alfama, a casa dos albuquerques de Esgueira, parentes de Lopo de Albuquerque, Diego Mendez de Segura...

 

Talvez tenha mesmo ido visitar o Palácio de S. Cristovão (actual edifício da Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa), junto à Igreja do mesmo nome, onde vivia Alvaro de Bragança, seu parente e protector em Castela. 

  

Não faltavam sítios nem o que fazer na cidade que vivera durante tantos anos. Colombo não parece ter pressa em regressar a Espanha. Uma coisa que sabemos, é que toda a tripulação recebeu em Lisboa muitas mercês e dádivas em dinheiro pela expedição que realizara !

Qual a razão porque Colombo insistiu em subir o Rio Tejo para se encontrar com D. João II em Aveiras ou Veiras, como então se designava a povoação de Vale Paraíso ? 

 

5. Sacavém (Loures)

Apesar de Sacavém ficar muito perto de Lisboa (uma légua), Colombo levou quase um dia a fazer o trajecto. Os motivos terão sido outros que não a distância. A noite de 8 para 9 de Março foi passada em Sacavém, como ele próprio afirma. 

Existem duas hipóteses sobre a casa onde pernoitou: 

a) Casa de Diogo Dias, almoxarife de Sacavém, irmão de Bartolomeu Dias do Cabo da Boa Esperança. No seu percurso entre Vale do Paraíso (Aveiras) e o Convento de Santo António da Castanheira, irá percorrer mais terras ligadas a este navegador (Cachoeiras - V.F.Xira, Alenquer). 

b) Castelo de Pirescoxe

 

Ruínas do palácio acastelado de Pirescoxe. Em 1939 ainda subsistiam grande parte da sua estrutura (7), entretanto delapidadas.   

 

O chamado Castelo de Pirescoxe,  na localidade de Santa Iria de Azóia, perto de Sacavém, sede do morgadio do - Nuno Vaz de Castelo Branco

 

Sucedeu-lhe no morgadio seu irmão - Lopo Vaz de Castelo Branco, monteiro-mor de D. Duarte e alcaide-mor de Moura. Seguiu-se o filho deste - Nuno Vaz de Castelo Branco.  D. Afonso V nomeou-o monteiro-mor, almirante de Portugal (10º), alcaide ade Óbidos e Bombarral

 

Nuno era casado com Filipa Ataíde, a "almirantesa" que vivia exilada em Sevilha. Um dos seus filhos - Pedro Vaz de Castelo Branco, almirante, foi um temível pirata, tendo atacado o porto de Cádiz entre 1491 e 1493. Mais

 

É interessante constatar que o neto Nuno e Filipa se casou com a filha do Conde de Penamacor, outro dos exilados portugueses em Sevilha.

 

Colombo teve desta forma a possibilidade de voltar a ver os familiares de Filipa Ataíde, e eventualmente partilhar histórias comuns do exílio em Espanha.

 

O paço dos Castelo Branco foi abandonado no século XIX, e só muito recentemente as suas ruínas foram alvo de uma tentativa de preservação. Mais

 

6. De Sacavém a Vale do Paraíso

O percurso até Vale Paraíso foi realizado de caravela. Começou bem cedo no dia 9 de Março, fazendo-se acompanhar de um piloto - Pero Alonso Ninõ ou Sancho Ruiz de Gama, provavelmente ambos portugueses. Quando chegou a Vale de Paraíso era já noite.

No Diário de Bordo dá uma explicação inconsistente para uma tão grande demorado: a chuva ! 

No trajecto é provável que demora tenha sido as visitas que terá realizado.

6.1. Alfarrobeira (Alverca)

É provável que se tenha deslocado à Igreja de Alverca, onde depois da Batalha de Alfarrobeira, nome de uma ribeira de Alverca, o corpo do infante D. Pedro foi escondido. Recorde-se que o filho deste infante foi o grão-mestre da Ordem de Aviz, cujo símbolo era uma Cruz Verde, a mesma que figurava na bandeira de Colombo quando chegou à América.  

 

6.2. Convento de Santa Maria das Virtudes (Virtudes, Junto à Vala Real da Azambuja)

 A última parte da viagem de caravela foi feita pela Vala Real da Azambuja. Foi aqui que desembarcou, para depois se dirigir a Vale do Paraíso, passando por Aveiras de Baixo .

É quase certo que tenha visitado o antigo Convento de Santa Maria das Virtudes (7). O edifico recentemente "recuperado" fica a 500 metros da Vala Real da Azambuja. Todo o percurso era navegável. Há autores que defendem que aqui terá ocorrido o primeiro encontro com  D. João II . O simbolismo do local assim o impunha. 

Este convento está ligado ao aparecimento milagroso, em 1403, de uma imagem da virgem Maria. O Infante D. Duarte, primogénito de D. João I fez a promessa de aqui construir uma Ermida, caso a conquista de Ceuta fosse bem sucedida (1415), o que de facto aconteceu.

D. Duarte, tornou-se no principal impulsionador o culto neste local, da virgem, solicitando à Santa Sé autorização para a construção de um convento, o que lhe foi concedido pelo papa Martinho V (1419).

No inicio a virgem era conhecida por N.S. das Ademas, mas face ao muitos milagres que aqui se registaram passou a ser conhecida por N.S. das Virtudes (16).  O convento foi entregue à Ordem de S. Francisco, ficando isento da sua sujeição às comendadeiras de Santos, da Ordem de Santiago.

Ao lado do convento foi aberto um cemitério, construído um hospital e um alpendre para abrigar os muitos peregrinos. D. Duarte mandou construir também um Paço Real. Durante o seu reinado (1433 a 1438), o convento foi confiado a Frei António do Paraíso, seu confessor, tornando-se pouco depois num dos maiores santuários mais concorridos de Portugal.

Muitos dos elementos arquitectónicos que ainda se podem observar nas ruínas do Convento, mostram enormes similitudes com o Mosteiro da Batalha, mandado construir por D. João I, para comemorar a Batalha de Aljubarrota (1385). 

Durante o século XV, hospedou reis como D. Duarte, D. Afonso V, D. João II e a rainha Dona Leonor (25).

 Durante o reinado de D. João II, agudizaram-se os conflitos relacionados com este convento entre o rei e a Ordem dos Franciscanos, levando o seu vigário geral a solicitar o seu abandono.

Túmulo de Fernando de Noronha

Entre os túmulos que se conservam no interior da Igreja, existe um, com a data de 1509, repleto de significado, o de Fernando de Noronha (5), irmão da marquesa de Montemor, exilada em Sevilha, na sequência da conspiração de 1483. 

Fernando de Noronha era governador da casa de Joana, a Beltraneja ou excelente Senhora. O que o terá levado a fazer-se sepultar neste local?

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6.3. Ordem de Santiago

Sempre acompanhado por Martinho de Noronha, ainda no dia 9 de Março,  dirigiu-se ao encontro de D. João II, passando primeiro pela povoação de Aveiras de Baixo (a cerca de 3,5 km), onde os Silva tinham os seus domínios (23).

A povoação de Aveiras de Baixo, assim como Vale do Paraíso foi dada em 1272 à Ordem de Santiago de Espada. Á entrada das Igreja matriz de Aveiras de Baixo podemos ainda observar uma espada, o símbolo desta ordem militar.

Em 1360 a Ordem entregou estes bens ao Convento das Comendadeiras de Santos, em Lisboa, os quais tinham aqui uma das suas principais fontes de rendimento até ao final do século XVI. Pertencia-lhes a jurisdição de Aveiras, incluindo Vale do Paraíso, e depois de 1437, o Cartaxo.

 

7. Vale do Paraíso (Aveiras de Cima, Azambuja)

Colombo escreveu a D. João II no dia 4 de Março, quando chegou a Lisboa. O rei neste dia encontrava-se em Rio Maior, mas no dia 5 já estava em Vale do Paraíso. Colombo só recebeu a resposta do rei a 8 de Março, quando este lhe pediu para o visitar, mas como vimos partiu nesse mesmo dia para Vale do Paraiso.

Estamos em crer que Colombo dormiu em Vale do Paraíso de 9 para 10 de Março.

Existe uma tradição local segundo a qual, o prior do Crato - Diogo Fernandes de Almeida -, o alojou em Pontével, na casa dos comendadores da Ordem Militar do Hospital de S. João de Jerusalém (31).

As descrições que possuímos do encontro com D.João II, na noite do dia 9 de Março ou na manhã de domingo, dia 10, não são coincidentes. Os cronistas portugueses "pintam" uma cena tempestiva, Colombo descreve o oposto.

"Sábado 9 de marzo - Hoy partió de Sacanben (Sacavém) para ir adonde el Rey estaba, que era el valle del Paraíso, nueve léguas de Lisboa: porque llovió no pude llegar la noche. El Rey (em Vale do Paraíso) le mandó recibir a los pincipales de su casa muy honradamente, y el Rey también les recibió con mucha honra y le hizo mucha favor y mandó sentar y habló muy bien, ofreciéndole que mandaría hacer todo lo que a los Reys de Castilla y a su servicio complise complidamente y más que por cosa suya; ". Cristovão Colombo, Diário de Bordo

"Tras haber permanecido el domingo y el lunes hasta después de misa en aquel lugar, el Almirante se despidió del rey, quien le demostró mucho afecto y le hizo muchos ofrecimientos". Hernando Colón, História del Almirante, p.178

 

7.1. Comendadeiras de Santos

A escolha de Vale do Paraíso para este encontro não foi ocasional, tinha um profundo significado para D. João II e Colombo, pela sua ligação às comendadeiras do Convento de Santos, em Lisboa.

D. João II, mestre da Ordem de Santiago, ao que autorizou, a 24/8/1481, a entrada no Convento de Santos, da sua amante - Ana de Mendonça, mãe de Jorge de Lencastre, que ele pretendeu depois de 1491 fazer seu sucessor no trono de Portugal (21).

As várias visitas do rei a Aveiras indiciam a possibilidade de Vale de Paraíso ter sido um local de eleição para os encontros entre D. João II e Ana de Mendonça.

Também Colombo tinha uma ligação a este convento. Foi no mesmo que conheceu Filipa Moniz Perestrelo, tendo solicitado a D. João II autorização para se puder casar com esta comendadeira.

Ao realizar este encontro em Vale do Paraíso, é provável que o rei tenha procurado mostrar a ligação de ambos à própria Ordem de Santiago, e eventualmente proporcionou um reencontro entre Colombo e Filipa Moniz Perestrelo.

 

7.2. Silvas

Em Aveiras de Baixo surgiu no principio século XV  uma das principais casas do reino. D. João I fez de Gonçalo Gomes da Silva, o primeiro senhora da mesma. Sucedeu-lhe João Gomes da Silva, também ele alferes de D. João I. O rei D. Duarte, em 1422, deu a Silva Tello de Meneses o "Senhorio de Aveiras" (4 ). 

João da Silva, no tempo de D.João II, era o senhor da  Vila de Aveiras e de Vagos. Foi camareiro-mor do rei, e general de Ampurdan (Empordà em catalán) e da própria Catalunha, durante o reinado de D. Pedro, Condestável de Portugal e Mestre de Avis. 

Sucedeu-lhe o seu filho - Ayres Gomes da Silva - camareiro-mor de D. João II, cavaleiro da Ordem da Jarreteira, regedor da Justiça,  embaixador em Inglaterra. (9). Um dos seus filhos, com o mesmo nome, irá participar em 1500 na expedição de "achamento" do Brasil. 

Os senhores de Aveiras, estavam ligados com os Silva de Toledo (Condes Cifuentes), os quais mantiveram uma enorme cumplicidade com Portugal até 1640.  

É fácil perceber a razão dos contactos internacionais que Colombo rapidamente estabeleceu com toda a Europa a partir de Lisboa. Os silva de Aveiras foram neste caso uma preciosa ajuda.

No século XVI,  D. João III concede a -  João da Silva Tello de Meneses (vice-rei da Índia) - o título de 1.º Conde de Aveiras (1542) (6). O Palácio dos Condes de Aveiras, em Aveiras de Baixo, datado do século XVIII, ainda hoje é elucidativo da grandeza destes senhores tanto em Portugal, como em Espanha ( Consultar ) (11). O brasão ostenta um Leão.

 

7.3. Encontro, com D. João II, em Vale do Paraíso

Continuando a subir pelo vale, depois da povoação de Aveiras de Baixo, a cerca de 2,5 km, chegamos a Vale do Paraíso, onde Colombo foi recebido por D. João II. Conta-se que o rei se encontrava neste local, aparentemente para se refugiar da peste que assolava Lisboa (3). 

O que se passou entre os dois tem sido descrito de forma tão contraditória pelos diferentes autores, que merece pouco crédito. A verdade é que Colombo esteve dois ou três dias em conversões com D. João II, houve tempo para tudo, inclusive para assistir a pelo menos uma missa juntos  ! 

Qual é a casa onde o rei recebeu Colombo ? O local mais provável terá sido uma grande casa que fica na povoação, mesmo em frente daquela que a tradição indica. 

Durante os dois ou três dias de reunião com D. João II, o seu alojamento ficou a cargo de -  Diogo Fernandes de Almeida - 6º. Prior do Crato da Ordem Militar do Hospital de S. João de Jerusalém -, de quem recebeu muitas honras.

Diogo era filho de Lopo de Almeida, 1º. Conde de Abrantes, amigo e parceiro de negócios de Lorenzo de Berardi, pai do banqueiro florentino de Colombo em Sevilha. Mais

Diogo de Almeida era um nobre da total confiança do rei, seu monteiro-mor e aio privado do seu filho ilegítimo - Jorge de Lencastre ). Colombo tem a percepção clara da importância deste nobre, nomeadamente na estratégia de sucessão do trono despois de 1491, por isso o identifica no seu Diário de Bordo.

O Rei mandou dar a Colombo tudo o que precisasse.

A igreja onde ambos terão rezado no dia 10 de Março, terá sido a capela que ainda existe num ponto mais elevado da povoação. Na porta tem a data de 1555, possuindo excelentes azulejos do século XVII. No século XVIII a Igreja de Vale do Paraíso estava consagrada a Nossa Senhora dos Milagres, e continuava na dependência do Convento de Santos (-o-Novo). 

Trata-se provavelmente da antiga ermida consagrada a Nossa Senhora do Paraíso, cuja imagem milagrosa apareceu a um pastor. Frei Agostinho de Santa Maria, afirma que este "milagre" ocorreu por volta de 1570, tendo sido construído então o "Convento de Vale do Paraiso"  ( 2 ). A descrição é confusa e a data pouco credível (27).  

Tudo leva a crer que a ermida do século XV fosse já dedicada a N. S. do Paraíso (ou Nossa Senhora do Ó ?), celebração a 18 do Dezembro, junto à qual existira umas casas para local de reunião e acolhimento.

Indios.  Las Casas, refere um curioso episódio: Colombo levou consigo alguns indios, para o encontro com D. João II. O rei, de forma discreta, colocou perante dois deles um mapa das Indias construído com favas (habas, em espanhol), representando as ilhas que Colombo acabara de descobrir. Através de gestos procurou que os mesmos assinalassem as ilhas donde tinham vindo, recorrendo às ditas favas (habas):

"El indio, muy desenvueltamente y presto, senaló esta isla Española y la isla de Cuba y las islas de los Lucayos y otras cuya noticia tenía. Notando el rey com morosa consideración lo que el indio había señalado, cuasi como con descuido deshace con las manos lo que el indio había significado. Desde a un rato, mandó a otro indio que señalase y figurase con aquellas habas él las tierras que sabía que había por aquella mar, de donde Cristóbal Colón los traía. El indio, con diligencia y como quien en pronto lo tenía, figuró con las habas lo que el otro había figurado; y por ventura añidio (sic) munchas (sic) más islas y tierras, dando como razón de todo en su lengua (puesto que nadie lo entendia) lo que  había pintado y significado." (18).

D. João II, toma então consciência através dos indios das ilhas a que Colombo chegara, e das muitas mais que ainda havia a descobrir naquela região do mundo.

Piloto. Colombo levou também consigo um piloto. A sua principal preocupação foi informar D. João II de tudo o que fosse relevante, reunindo o máximo de testemunhos possíveis. Satisfeito com as informações prestadas pelo piloto, o rei fez questão de o recompensar.

 

8. De Vale do Paraíso ao Mosteiro da Castanheira 

Colombo depois da missa com D. João II, no dia 11 de Março, dirigiu-se directamente para a Azambuja, que fica a cerca de 4 km pela serra (10). O seu objectivo era ir ao encontro da rainha Dona Leonor de Lencastre, que estava no Convento de Santo António. O percurso terá sido feito por terra.

Qual o percurso que seguiu? Azambuja? (32) Vila Nova da Rainha? (33) Carregado? (34) Castanheira? Colombo passou, quase de certeza, por esta última vila, cujo senhorio pertencia aos Ataídes. A primitiva igreja, consagrada a S. João, foi destruída no terramoto de 1531.A actual igreja, consagrada a São Bartolomeu, aproveitou muitos elementos arquitectónicos anteriores, e foi mandada construir pouco depois por António de Ataíde, 1º.conde de Castanheira, por mercê de D. João III seu amigo desde a infância. A partir daqui Colombo iniciou a subida da serra. Este conde e a sua família estão sepultados no Convento de Santo António da Castanheira.

Colombo 

9. Convento de Santo António (povoação da Loja Nova, Vila Franca de Xira)

Ainda no dia 11 de Março, a pedido da Rainha  Dona Leonor, encontrou-se finalmente com ela no Convento de Santo António da Castanheira, situado no alto da serra. O convento foi fundado em 1402 por Frei Pedro de Alamancos.

O encontro é presenciada por um Duque (D. Manuel, Duque de Beja, Mestre da Ordem de Cristo e futuro rei ) e um Marquês ( Pedro de Menezes (1425- 1499), 7º. Conde de Ourém, 1º. Marques de Vila Real, Senhor de Aveiras, etc) (24). Tudo nos leva a acreditar que as razões do encontro foi a cumplicidade de Colombo com os conspiradores de 1483 e 1484, muitos dos quais viviam exilados em Sevilha.

Neste convento está o grande panteão dos Ataídes, uma família cujos membros se destacaram na conspiração de 1483.

Lopo de Albuquerque, Conde de Penamacor, parente de Colombo que também fugiu para Castela em 1484, foi aqui sepultado. A data que consta na sua pedra tumular é falsa, pois está escrito que faleceu a 8 de Maio de 1493. O seu filho adoptivo - Diego Mendéz de Segura - foi o secretário de Colombo, e será também do seu filho Diogo (Diego Colon). Mais

Depois da visita à rainha, Colombo desceu a serra em direcção a Vila Franca de Xira, domínio da Ordem de Cristo (30), seguindo para Alhandra.

 

10. Alhandra (Vila Franca de Xira)

A noite de 11 para 12 de Março é passada, em Alhandra, no Palácio dos Albuquerques, acompanhado por Martinho de Noronha , cuja mãe era sobrinha de Afonso de Albuquerque. Mais

O que resta deste Palácio é bem ilustrativo da forma vergonhosa como esta câmara municipal cuida do património do concelho.

Foi nesta povoação que nasceu Afonso de Albuquerque (1453-1515), vice-rei da India e construtor do Império Português no Oriente, que tinha praticamente a mesma idade que Colombo.  

Em Maio de 1502 Colombo irá a Arzila socorrer o  filho do capitão João de Menezes -  Duarte de Menezes - que a estava a defender de um cerco dos mouros.

Antes de partir, Colombo e o piloto que o acompanhava recebem mais presentes de D. João II, trazidos pelo seu escudeiro: ofereceu-lhes animais para irem a Castela por terra, recebendo o piloto uma grande soma em dinheiro (20 espadines), segundo cálculos do próprio Colombo:   

:Diário de Bordo, Colombo registou que no 12 de Março: "Cuando el almirante del se partió, le mandó (D. João II) dar una mula, y otra a su piloto que llevaba consigo, y diz que al piloto mandó hacer merced de veinte espadines." (espadis eram moedas de ouro, equivalentes a 20 ducados).

 

Significado dos Vinte Espadis

A entrega de 20 moedas de ouro (espadis) ao piloto que Colombo levou para conversar com D. João II, em Vale do Paraíso, reveste-se do maior dos significados. Não se trata de uma simples dádiva generosa de um rei.  D. João II mandou cunhar estas moedas para acentuar a firmeza que colocava na defesa de África, inscrevendo nelas a mensagem que os portugueses nada temia.

Estas moedas tinham cunhado num lado o escudo real, e do outro, uma mão com uma espada alçada, encimada pelos seguintes dizeres: "Dominus protector vitae mae, a quo tripidabo", retirada de Salmos 27: "O Senhor é o protector da minha vida, de quem terei medo? ".

Rui de Pina esclarece o significado dos Espadis: "E estes espadis mandou fazer deste nome por devoção e em lembrança da conquista de África, que sempre com a espada na mão se faz, e prossegue por honra e exaltação da Fé Cristã."

A Espanha devia concentrar-se nas Indias, "descobertas" por Colombo, deixando para os portugueses África e o caminho para a India através do Cabo da Boa Esperança.

 

11. Cabo de S. Vicente (Algarve, junto a Sagres)

É uma referência constante nos relatos das viagens de Colombo. Era um lugar também mítico para este navegador por tudo o que o mesmo evocava.

O Cabo de S.Vicente situa-se no extremo sudoeste de Portugal, junto ao Promontório de Sagres (Cabo Sagrado, segundo Estrabão). Neste local existiria uma pequena capela com os restos mortais do mártir S. Vicente (séc. IV), resgatados por D. Afonso Henriques logo após a reconquista de Lisboa aos mouros (1147). No século XIV foi aqui fundado o Convento do Corvo dos frades franciscanos. No principio do século XVI foi criado um farol e um forte (1508), pelo Bispo de Silves.

12. Faro

No 13 de Março, pelas oito horas da manhã, com a maré enchente e o vento de Noroeste levantou as ancoras e fez-se à vela para ir para Sevilha. A verdade é que passou todo o dia em Lisboa, pois regista no dia seguinte (14 de Março): "Ontem, depois do sol posto, seguiu o seu caminho para sul, e achou-se antes do sol nascer sobre o Cabo de S. Vicente, que é em Portugal".

O dia 14 de Março foi passado frente à vila de Faro (Portugal), onde provavelmente desembarcou e da qual só saiu ao pôr do sol. Conhecia muito bem as costas do Algarve, mas o que o terá levado a fazer esta escala?

A explicação mais obvia, remete-nos para o facto da vila de Faro, desde 1491, pertencer à Rainha Dona Leonor de Lencastre (37), oriunda da Casa dos Duques de Beja-Viseu, da qual Colombo foi certamente um servidor. Mais

Outro facto  relevante é ter a vila da Faro pertencido entre 1475 a 1483, aos Condes de Faro, intimamente relacionados no exilio com Colombo. Mais

A vila de Faro tinha nesta altura, uma das mais antigas e prósperas comunas de judeus de Portugal (39). D. Afonso V, a 24/8/1476, em Arévalo, fez Lopo de Albuquerque, seu camareiro-mor, conde Penamacor, e deu-lhe também os rendimentos das judiarias e mourarias de Tavira e Faro. Título e rendimentos que D. João II lhe retirou, em 1484, na sequência da conspiração em que este esteve envolvido. Não nos podemos esquecer que muitos foram os judeus e cristão novos que apoiaram Colombo, ele próprio tem sido frequente apontado como um cristão novo. Mais.

Existem muitas outras explicações, menos evidentes, mas igualmente sugestivas:

- Família Barreto, alcaides-mor de Faro (35). No século XV se ligaram aos monizes (36), à familia do 10º. almirante-mor Nuno Vaz de Castelo Branco e aos melos de Alvaro de Bragança, seu protector em Castela. Rui Barreto era na altura o alcaide-mor, regista-se a sua participação no julgamento que condenou à morte o Duque de Bragança em 1483.  Tratou-se de uma visita a parentes?

- Família Caminha. Um Fernandes de Caminha, em data incerta, teve como filho legitimo em Faro, Alvaro de Caminha (38), que foi capitão de armadas na costa africana, tendo estado envolvido na descoberta da Ilha de S. Tomé. D. João II, nomeou-o capitão-donatário da Ilha de S. Tomé, em 1493, onde veio a falecer em 1499. Acontece que este Alvaro de Caminha, aparece desde o inicio do século XIX , frequentemente referido como Alvaro de Caminha Souto Maior, filho ou parente de Pedro Alvares de Sottomaior (Pedro Madruga) e de Leonor de Távora.  A confusão é completa, dada a tentativa de associar Pedro Madruga a Colombo. Mais

O certo é que Colombo atribuiu o nome de Faro a um dos seus topónimos.  Esta escala não passou despercebida a Hernando Colon, o qual fará uma visita secreta a Portugal, em 1518, registando no seu "Itinerário" que a vila de Faro tinha cerca de 1.500 vizinhos. Mais

A verdade é que só no dia 15 de Março, pelo meio-dia, com a maré a montante entrou pela barra de Saltes, junto a Palos (Andaluzia, Espanha). Poucas horas depois dava entrada a Pinta, comandada por Martin Pinzon, o qual não tardou a falecer, corroído pelo desgosto e pela sifilis contraída nas Antilhas. Mais

Terminava assim a longa estadia de Colombo em Portugal - um mês - onde teve oportunidade para visitar familiares e amigos e conferenciar com D. João II, sobre a estratégia seguida e os próximos passos que seriam dados. 

Em Espanha, no Convento de la Rábida, esperava-o outro português - Frei João Peres de Marchena -, com quem vai conferenciar durante 15 dias, antes de partir para Barcelona para se encontrar, por último, com os reis católicos.   

Carlos Fontes

  Notas:

( 1 ) Garcia de Resende, Crónica de D. João II , capítulo 165 e Joaquim Veríssimo Serrão, Itinerários de El-rei D. João II , v. II.

( 2 ) Frei Agostinho de Santa Maria, Santuário Mariano , t. II, Lisboa, 1707, p. 363.  Ana de Alencastre, comendadeira do Convento de Santos-o-Novo assumiu, depois de 1570, a administração da igreja.

( 3 ) No dia 12 de Março D. João II, ainda aqui se encontrava pois emitiu documentos de despacho ordinário, datados de Vale do Paraíso. Cfr.Joel Serrão, Dicionário da História de Portugal. Vol. I, pág.50

(4 ) IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de D. Duarte, Livro 2; Nuno Gonçalo Monteiro, O Crepúsculo dos Grandes , p. 261

(5) Frei Manuel da Esperança, História Seráfica da Ordem dos Franciscanos Menores da Província de Portugal, 2ª. parte, cap.XXVII, Lisboa. 1666. Inscrição no túmulo:

"Aqui jáz D. Fernando de Noronha, bisneto d`Elrei D. Fernando de Portugal, & d`Elrei D. Henrique de castela; & D. Constança de Castro soa molher; & alguns de seu filhos, & netos. O qual faleceò na Era de 1509".

(6)  IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de D. João III, Doações e Mercês, Livro 1.

(7 ) A história do Convento e Igreja de N.S. das Virtudes ainda não está estudada em profundidade, no entanto foram já publicados alguns estudos que nos permitem uma ampla compreensão da mesma, sendo de destacar os seguintes:

-  Bota, Adelaide Maria de Almeida -Igreja de Convento de N. S. das Virtudes (Azambuja). Base para uma proposta de recuperação e valorização. Dissertação de Mestrado em Recuperação Arquitetónica e Paisagística. Universidade de Évora. 1998

 

- Ventura, Margarida Garcez; Oliveira, Carlos; Pereira, Raul - A Igreja de Santa Maria das Virtudes, in, Via Spiritus 7 (2000), pp. 77-97

(8) Martinho de Noronha. Vedor da Fazenda de D. João II. Senhor do Cadaval. Era da total confiança de D. João II. No dia em que o rei faleceu, não deixou se lhe fazer o pedido de Vila Nova para o seu filho (Cfr.Resende).

Era filho de Pedro de Noronha, mordomo-mor de D.João II, comendador-mor da Ordem de Santiago, embaixador em Roma (14/6/1485).

Sobrinho de Isabel de Noronha, marquesa de Montemor, exilada em Sevilha, na sequência da conspiração de 1483.

Sobrinho, também de Fernando de Noronha, governador da casa de Joana, a Beltraneja ou Excelente Senhora. Encontra-se sepultando na Igreja do Convento de N.S. das Virtudes (Azambuja).

Neto de Pedro de Noronha, arcebispo de Lisboa.

(9) Corografia portuguesa, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, António Carvalho Costa, Tomo Terceiro.

(10) O Cabo da Roca, como o Cabo de S. Vicente era do prefeito conhecimento de Colombo. No seu Diário de Bordo, diverte-se, no dia 15/2/1493, a mostrar a ignorância da sua tripulação. Diz que ele quando se estavam a aproximar de terra, a cerca de 5 léguas, alguns a bordo que diziam que se tratava da "Roca de Sintra en Portugal", dado que " la mar venía muy alta del Gueste". Ele esclareceu-os que não se tratava do cabo da Roca, mas da Ilha de Santa Maria, nos Açores.

( 11) O Palácio dos Condes de Aveiras ( Solar dos Condes de Povolide ou Palácio da Quinta da Cerca ), em Aveiras de Baixo, resultado de um profunda transformação datada do século XVIII, de uma construção muito anterior (século XV ou XVI?). Está organizado em torno de um pátio central e possui uma capela privativa. O estado é de abandono e ruina.

 

(12 )

 

(13 )

 

(14 ) João da Castanheira não era o capitão da ilha de Santa Maria, mas apenas o seu lugar tenente. Quando Colombo chegou à ilha o capitão da mesma - João Soares de Albergaria - , estava em Lisboa, a contrair matrimónio pela segunda vez. cfr. Arruda, Manuel Monteiro Velho - Arquivo dos Açores, Vol. XV, p.3.

 

 

(15) Catz, Rebecca - Cristovão Colombo nos Açores. Academia da Marinha. Lisboa.1991; MONTEIRO, Jacinto. "Passagem de Colombo por Santa Maria". in revista Ocidente, vol. LVIII, Lisboa, 1960. MONTEIRO, Jacinto. "O Episódio Colombino da Ilha de Santa Maria, nas suas Implicações com o Descobrimento da América". in revista Insulana, vol. XXII, 1º e 2º semestres, 1966, p. 37-126.; MONTEIRO, Jacinto (Pe.). Atentado contra Colombo nos Açores. Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura; Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1994.; FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra. Livro III, capítulo II.

 

(16) O Convento de Nossa Senhora das Virtudes era o século XV o mais popular local de peregrinações de Portugal. Cfr. Sentimento, Religião e Política na Época  Moderna, in Lusitânia Sacra, Universidade Católica Portuguesa, 1956. 

 

Entre 1405 e 1498 foram registados 56 milagres no Convento. cfr. Revista da Biblioteca Nacional, serie 2, vol.3, Tomo I. Janeiro-Abril de 1988.

 

(18) Las Casas, Historia de las Indias, Tomo I, cap.74 , 210v -211, pp. 691 e 692.

 

(19) Rodrigues, José Damião - Endogamia, Parentesco e Consanguidade: relações familiares e de poder em Ponta Delgada (Açores) no século XVII, in, Casey, James - Família, Parentesco y Linaje ...

 

A informação  disponível corrobora a ligação entre João de Castanheira e Fernão de Quental: Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, 4º. volume, 1ª. Parte..; António Cordeiro e Gonçalves de Andrade - Historia Insulana. Das ilhas de Portugal Sujeitas ao Oceano Occidental. Livro V, Tit.VI...; Revista Ocidente, nº. 60...;

 

Sobre o convento franciscano patrocinado em Ponta Delgada por Margarida de Matos e Fernão Quental: Frei Agostinho de Montal`Alverne - Crónica da Província de S. João Evangelista...

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(20) Las Casas, Historia de las Indias, Tomo I, cap.71 pp.680-681

 

(21) D. João II, ainda na condição de príncipe, em 1476, conheceu Ana de Mendonça na cidade de Toro (Castela), quando esta era dama de Joana, a Beltraneja, que D. Afonso V desposara. Desde então mantiveram uma ligação amorosa, muito criticada, nomeadamente pelo Duque de Bragança, decapitado em 1483.

 

Ana de Mendonça, acompanhou Joana, a Beltraneja na sua vinda para Portugal. Dias depois de ter dado à luz - Jorge de Lencastre (12/8/1481), no paço conde de Abrantes terá ingressado no Mosteiro de Santos em Lisboa.

 

 

A vigária do Convento de Santos, em Lisboa,  era a sua prima paterna - Violante de Nogueira ( ? - 1508) que, em 1487, substituiu comendadeira Brites de Meneses, quando esta faleceu. Era filha de Afonso Furtado de Mendonça, capitão-mor do mar, no reinado de D. João I, e de Constança Nogueira, filha de Afonso Nogueira, alcaide-mor de Lisboa, e de Joana Vaz de Almada.

 

22) João da Castanheira conhecia Colombo ou foi sobre ele informado?

 Na Ilha de Santa Maria, nesta altura, João Marvão era feitor e almoxarife do Duque de Beja. Era natural do Sabugal, para onde regressou já velho, mas deixou na ilha filho e filhos. Acontece que o alcaide-mor da vila do Sabugal era o conhecido Pedro de Albuquerque, almirante-mor de Portugal, aparentemente morto em 1484. Mais  

 

(23 ) Pereira, José António Machado - Identidade, História e Memória da Terra de Aveiras de Baixo. Junta de Freguesia de Aveira de Baixo. 2009.

 

 

(24) Pedro de Meneses (1425-1499). Uma das mais importantes figuras do seu tempo. Era o 7º. Conde de Ourém, 3º. Conde de Vila Real (3/6/1445), e depois 1º. Marques de Vila Real (1/3/1489), Senhor de Aveiras, Almeida, campo de Ulmar (Monte Real), S. Pedro de Muel, etc. Alcaide-mor de Leiria.  Foi também senhor das Canárias.

 

Governador de Ceuta. Participou na Batalha de Toro. Fez parte dos juízes que condenaram à morte do Duque de Bragança, em 1483

 

Era filho de Fernando de Noronha, que devido ao seu casamento com Brites de Meneses, 2ª. condessa de Vila Real, passou a usar o nome de Meneses. Era, portanto, sobrinho de Pedro de Noronha, o conhecido arcebispo de Lisboa.

 

Biografia: Baquero Moreno - As Conspirações contra D. João II: o Julgamento do Duque de Bragança, in, Exilados .... Editorial Presença. Lisboa. 1990

 

 

(25) D. João II e a rainha Dona Leonor visitaram com alguma frequência este convento. Alguns exemplos: Em finais de 1484 (a rainha); Junho de 1486 (ambos); Setembro de 1487 (ambos);  1491, depois da morte do principe D. Afonso (ambos), 25 de Fevereiro de 1493 (ambos);

 

(26) Pimentel, Manuel - Arte de Navegar. Roteiro das Viagens da Guiné, Angola, Brazil.... p.527

 

(27) Pereira, José A. Machado - Vale do Paraíso. História e Historias. 2006. C.M. Azambuja.

(28) Duarte, Luis Miguel - A Actividade Mineira em Portugal Durante a Idade Média, in, Revista da Faculdade de Letras..

(29) Rau, Virginia - Aspectos do "Trato" da "Adiça" e da "Pescaria" do "Coral" nos finais do século XV, in....

(30) Recorde-se que foi desta vila que provavelmente, partiu Bartolomeu Dias para a sua célebre viagem ao Cabo da Boa Esperança (1488).

 

(31) Os vestígios históricos da antiga vila de Pontével (Cartaxo) praticamente desapareceram, o que resta são documentos que nos permitem avaliar o seu rico passado.

 

No século XII foi doada ao francos de Vila Verde, onde se fixaram os albuquerques, mas também aos cavaleiros da Ordem de São João do Hospital. Esta comenda, uma das importantes da  Ordem, esteva ligada à de São João de Alporão, em Santarém. Os comendadores tinham em Pontével um palácio de que ainda subsistem alguns vestígios, junto à igreja matriz.

 

(32)  Azambuja. Esta vila pertencia à Ordem de Aviz. Recorde-se que Colombo tinha uma bandeira com uma cruz verde, a mesma que possuía esta ordem militar.

No século XV Aveiras e Azambuja fervilhava de gente ligada às descobertas, algumas das quais o próprio Colombo afirma ter-se relacionado. D. João II tenha-o recebido em Vale do Paraiso, no Convento das Virtudes, ou em ambos os locais terá querido certamente recordar-lhe o seus laços com o país.

Rolin.  D. Afonso Henriques, em paga pelo apoio à reconquista de Lisboa (1147), a povoação de Azambuja (então Vila Franca) ao cruzado D. Childe Rolim, 5º. filho do conde de Chester (Inglaterra). Ao longo dos séculos a Azambuja esteve ligada à familia Rolin de Moura. Entre as suas mais célebres personagens destacam-se: António Rolim de Moura (cavaleiro que se distinguiu na conquista das praças de Marrocos), António Rolim de Moura (1.º conde de Azambuja, governador e vice-rei do Brasil-1767), etc. 

 

Apelido de Azambuja. Vários navegadores tiveram o apelido de Azambuja, entre eles destacam-se:  

 

- João Afonso da Azambuja (pessoa abastada, contador de D. Nuno Alvares Pereira. Estava ligado às conquistas em África, mas também aos rendimentos nos transportes em Sacavém);

 

- Diogo de Azambuja, cavaleiro da Ordem de Aviz. Navegador, explorou a Costa da Mina, onde D. João II lhe mandou construir uma fortaleza (1481-1485). Utilizou astrolábios náuticos). Colombo afirma que em 1481 foi à Mina.

 

- António de Azambuja (capitão comandou em 1548 uma das naus da armada de João Henriques que seguiu para a Índia).

 

Outros.  André Pessoa (capitão-mor que anda pelo Japão),  Martim Afonso de Sousa (vice-rei da Índia), 

 

(33) Vila Nova da Rainha. Vila da Ordem de Aviz, onde segundo a tradição se casou, em 1375, Nuno Alvares Pereira com Dona Leonor de Alvim. .Após ter sido arrasada, incendiada e destruída pelo exército de Castela em 1382, ficando a salvo apenas a igreja, em 1383, a regente Leonor de Teles manda reintegrar Vila Nova da Rainha, no termo de Alenquer ( IAN-TT, Chancelarias Régias, Chancelaria de D. Fernando I, Livro 2, f. 111.)

 

(34) Carregado.Colombo passou por aqui também no dia 11 de Março. No local a Ordem de Aviz tinha uma importante propriedade, que D. Jorge de Lencastre, mestre da Ordem, deu a António Corrêa filho de Vasco Gil, que havia instituiu um morgado no Carregado (Quinta da Condessa). António Corrêa foi  mandado por D. Manuel guerrear no mar da Pérsia, fez as pazes com os reis do Pegu e Bintão e venceu e matou Mochrim rei da ilha do Baharem no mar de Ormuz. D. João III, em memória do feito, mandou que tomasse o apellido de Baharem em adição ao de Corrêa..

 

(35) Na linhagem dos barretos que importa reter é a de Gonçalo Nunes Barreto (c.1370-1435), fronteiro-mor do Algarve, alcaide-mor de Faro, 1º. morgado da Quarteira (1413), do qual descendem os seguintes alcaides de Faro no século XV: Nuno Barreto e Rui Barreto.

Rui Barreto, era filho de Nuno Barreto, fidalgo da casa de D. Afonso V. Casou com Branca Vilhena. Foi um dos 21 juizes que sentenciou à morte o Duque de Bragança, em 1483. Cf. Baquero Moreno - As Conspirações contra D. João II: o Julgamento do Duque de Bragança, in, Exilados .... Editorial Presença, Lisboa.1990

 

(36) História Insulana das Ilhas de Portugal sugeitas no Oceano Occidental, vol. 2, Livro VI, cap. XXIII, p.122 (1856).

 

(37) Faro e Silves passaram a fazer parte da Casa das Rainhas, quando D. João II, por carta datada de 14/4/1491, a doou à rainha dona Leonor, com todos os direitos, excepto o das alfandegas, siza e casa do sal. ANTT- Livro 2 de Misticos, f.86; João Baptista da Silva Lopes - Corografia (...) do Reino do Algarve, Lisboa, 1841, p.278; Sá, Isabel dos Guimarães - De Princesa a rainha-velha. Leonor de Lencastre, p.239., etc,

D. Manuel, quando subiu ao trono não só confirmou a posse de Silves e Faro, como também lhe deu em 1499, Vila Franca de Xira, Castanheira do Ribatejo, Azambuja e Cascais.

 

(38)  Álvaro de Caminha participou como capitão-mor na viagem em que João de Santarém e Pero Escobar descobriram São Tomé, em 1471, ao serviço de Fernão Gomes; Entre 1493-1499 viveu como capitão-donatário  em São Tomé (cfr. Portugaliae Monumenta Africana, vol. II, ).  Foi a ele que foram entregues os filhos recém-baptizados dos judeus e alguns degredados, para povoar a Ilha de S. Tomé. Criou um centro populacional na baía de Ana de Chaves. Introduziu a plantação da cana de açúcar na ilha.

 

(39) Iria, Alberto - Os Judeus no Algarve Medieval e o cemitério israelita de Faro (séc. XIX) (História e Epigrafia). Sep. dos Anais do Municipio de Faro. nº.XIV. Faro. 1985

 

 

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